sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dura é a vida de um verdadeiro profeta

"Ai de vós, ... e ... , hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas (Mt 23.29-31)"



O mestre Jesus separava o antigo testamento em duas partes somente: Lei e profetas. Nós, os teólogos, a separamos em três, como os judeus doutores da lei faziam: Lei , poesia e profetas. A parte do Tenak que Jesus defendia era a dos profetas. O restante era lei. Por que? Porque os profetas que foram usados por Deus faziam um pouco do que Ele ensinou: renúncia. João Batizador é o exemplo mais prático da vida de um profeta autêntico. Suas roupas, sua moradia, sua família nobre, mas, principalmente por suas palavras. Ele é preso e morre por falar a verdade ao rei da Herodes. Não vemos profeta algum falar a verdade aos canditatos quando estão nos "primeiros assentos nas igrejas (Mt 23.6)", não é mesmo, mas isto não vem ao caso.

Quando João Batizador está preso e aguardando o veredito de morte, envia dois de seus discípulos a Jesus. Seus discípulos vão e observam o Mestre por um dia todo. Voltam com a nova a João Batizador no cárcere, com a certeza de que Ele é realmente aquele que "havia de vir (Lc 7.20)". Só que os dois não observam o ponto ápce do encontro, pois o texto revela que, "e, tendo-se retirado os mensageiros de João (Lc 7.24)", Jesus faz uma homilia ao povo. Jesus percebendo o anseio do povo em encontrar um líder, um herói como aqueles da história de Israel, pergunta:



"Que saístes a ver no deserto? Um calho agitado pelo vento? Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam roupas preciosas, e vivem em delícias, estão nos paços reais. Mas que saístes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta (Lc 7.24-26)". Terminado seu sermão, Jesus afirma que não houve maior do João Batizador. Esta seria uma informação boa para dar a João Batizador, porém eles saem antes da pregação de Jesus Cristo.


Neste sermão de Jesus aparecem três tipos de ícones, daqueles que vemos hoje em nossas igrejas, nas ruas, no trabalho, nas "células" de reúniões. Três, mas apenas um é chamado de profeta. Outra coisa visível na época de Cristo, e que não mudou nestes dois mil anos, é o anseio do povo em escolher o seu "verdadeiro" homem de Deus, seu ícone, seu Gamaliel. A maioria gostaria de ver o tipo "galho agitado", e como temos galhos agitados em nossas tribunas, não é verdade? Outra parte considerável almejava ver o top de linha, que Jesus nomeia como "homem trajado de vestes luxuosas", daqueles que ficam hospedados em hotéis pagos pela igreja anfitriã, que não entram pela porta da frente da igreja, snobs, arrogantes, enfim. E como cresce esse segmento de atrações "que saístes a ver" na atualidade. Mas não se preocupe pois tal busca já existia a dois mil anos. E no povo crente de Israel. É o que nossa carne busca. Por isso Jesus ensina sobre renúncia. O terceiro interroga Jesus: Um profeta? pois a história judaica provava que a vida dos homens de Deus que tinham este título não era fácil.


O que ouvimos na igreja? Profecias ou profetadas? Com certeza profetadas. Já ouvimos alguém falar ao pastor, dirigente, pregador famoso, ou qualquer membro independente da função que ocupa: "Se conserte senão morrerás (material ou espiritualmente)?" . Ou como Pedro: "Por que encheu Satanás o teu coração...?". As profecias que ouvimos sempre são de coisas boas. Bençãos à igreja, ao fulano, ao cantor, ao dirigente do departamento, etc que só consolam. Não corrigem, muito menos edificam. Lembrei do grande pregador televiso dos anos 80, Jimmy Swegart. Em Joinville, onde morava e cresci, toda segunda feira tinhamos que aguentar nossa professora de ensino religioso, que é da AD e "roxa", comentar e falar coisas excelentes do grande pregador. Quando o Fantástico mostrou aquelas imagens horríveis do referido pregador cometendo adultério, a vida de minha ex-professora mudou. Morreu o pregador, morreu a pobre professora também.

A Palavra de Deus sempre ensinou como se conhece um profeta verdadeiro, e se a palavra que falou é de Deus. Está em Dt 18.21, 22: "Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás". Esto foi um dos motivos pelos quais João enviou seus discípulos a Jesus, somente verificar aquilo que todos comentavam a respeito de Cristo. Pena que nossa época é de profetas nômades. A igreja descobre que o profeta não era de Deus apenas quando os frutos deixados por ele aparecem. Escândalos, heresias, adultérios e até estelionato. E quem convidou o tal diz que a culpa é do pastor dirigente.

E o que não dizer do profeta Natã? Para acusar alguém de adultério era necessário testemunhas. Mas acusar o rei de Israel de adultério? Sem provas como o vídeo do Jimmy Swegart? Sem testemunhas? Só porque era profeta de Deus? A maioria não iria acreditar em Natã. Até os mais justos e piedosos judeus crentes duvidariam do profeta de Deus. Como acontece hoje. Cana abalada? Homem de roupas de grife? Mesmo por maior intimidade que tenhamos com o Criador, duvidamos dos profetas, ainda mais quando somos íntimos dos envolvidos. Lembrando que adultério era pecado capital, digno de morte quem cometesse tal pecado, fosse quem fosse, pois a lei era pra ser imparcial. O que faria Natã?

Ele conta uma história dramática ao rei. E termina assim a história: "e este, não querendo tomar das suas ovelhas e do seu gado para guisar para o viajante que viera a ele, tomou a cordeira do pobre (2° Sm 12.1-4)" . Veja que após o veredito que o rei dá ao rico da história, Natã profetiza: "Assim diz o Senhor". Davi reconhece seu pecado e Natã afirma que Deus o perdoou. Porém uma coluna de consequências seguiriam o rei até a sua morte.

Teríamos coragem de falar isso aos grandes em nossas denominações? Hoje, duvido, pois existem advogados prontos a abrir processos seja a quem for, desde que contratados para tal. Daí o "profeta" de mentira não ter coragem para tão corajoso ímpeto. O profeta de Deus fala, mesmo que lhe custe a vida.

No texto base deste artigo ocultei duas palavras, "ESCRIBA e FARISEU". Escriba, como a própria raiz revela seriam para nós os escritores de hoje, que por seus ensinos e livros sentem-se a vontade, cheios de inspiração e livres para denegrir a imagem do verdadeiro profeta. Fariseu é o crente realmente (Tg 2.19), daqueles que não cessam de ler a Bíblia, de ir a igreja, de se mostrar diferente pela aparência, entre outras qualidades. Mas só isto não é o bastante para ser seguidor de Jesus. Ele ensina: "Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, é semelhante ao homem que, edifica sua casa sobre a Rocha (Lc 6.47-48)". Assim resplandece a verdadeira luz de Cristo, praticando.

Praticar a Palavra, coisa que fariseu e escriba não tinham costume. Pena que Jesus os lembra que estavam como sepulcros, mas o interior Deus conhecia. Jesus ainda aperta mais a ferida quando diz que "exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. Hipocrisia e iniquidade! Como somos hipócritas!!! Também afirma Jesus que quem matou os profetas foram seus pais. Mas eles contudo adornavam os túmulos dos mesmos, e ainda afirmavam que "se estivéssemos presentes no passado, jamais concordaríamos com tal coisa", demonstrando como a hipocrisia cheira mal mesmo as narinas de Deus. Será que já ouvimos líderes falando assim, "se estivéssemos ..."? Claro. Um exemplo é o do advento da Televisão. Quantos foram mortos espiritualmente só porque compraram uma televisão, dos anos 50 até final de 80? Muitos, mas o que se ouve é que "se tivéssemos vivido naquela época..." , sem ao menos recordar-se dos grandes "ismos" com os quais matou alguém.

Como Satanás fez com Jesus Cristo, usamos a Palavra de Deus para matar os verdadeiros profetas. "Está escrito", "no texto e no contexto", "a hermenêutica do blá-blá-blá..." e os profetas verdadeiros são mortos, e as profecias verdadeiras quase que desapareceram. Mas o que diremos se estamos com a verdade nas mãos? A resposta de Jesus a Satanás foi: "Também está escrito"

Por isso Jesus falou aos doze: "Vocês receberão cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com tribulações e perseguições; e no mundo vindouro a vida eterna (Mc 10.30)". Assim crêem os verdadeiros profetas de Deus.

3 comentários:

Eliseu Antonio Gomes disse...

Elizeu

Na minha localidade a coisa estava tão feia que os políticos não-crentes chegavam na reunião, já começada, usavam o púlpito para pedir votos e depois iam embora antes do culto acabar. Verdadeiro assinte! Não havia quem não pensasse que o mesmo havia "comprado" o pastor.

Mas, agora, por força de lei isto não pode acontecer mais. Neste ano isto não ocorreu.

Abraço.

Eliseu A Gomes
http://belverede.blogspot.com/

Mayalu Felix disse...

Olá, Elizeu,

Este blog foi premiado com dois selos, o detalhamento está postado em meu blog.

Um abraço,

Maya

Lavrador disse...

Boa noite irmão.
Interessante o seu comentário, talvez um pouco longo demais...
Deus abençoe seu ministério!