sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ano Eleitoral


Devemos votar em irmãos da igreja?

A história política acompanha o homem desde que ele pecou contra Deus. E ela é apenas um instrumento puramente humano, sem qualquer conotação com o sagrado, com Deus.

Ao sair do jardim do Édem, Adão é obrigado a fazer uma das coisas que o Criador havia ordenado: "sujeitai... dominai... (Gn 1.28)". É importante lembrar que a "sujeição" e "dominação" outrora voltada apenas ao mundo que Deus entregou em suas mãos, agora é direcionado à sua esposa, à Eva. Adão começa então a pôr em prática "a arte de saber governar, de administrar e de controlar sua casa, externa e internamente (dic. Sacconi)". E educar seus filhos a viver em sociedade. Veja que um dos conceitos à política hoje, "viver em sociedade", já é colocado por terra em aproximadamente 100 anos da criação do homem: Caim mata Abel, seu irmão mais novo (Gn 4.8).

Há muita história política na palavra do Senhor até o povo de Israel atravessar o Jordão. E em Canaã a política humana não é usada ainda, aparentemente, pois são governados e administrados teologicamente, isto é, por Deus. Mas este governo termina quando o povo pede a Deus que eles mesmos escolham seus governantes. E Deus concede este favor ao povo. Acaba então a Teocracia e começa a Monarquia (1º Sm 8.5-7).

Vimos nesta fase (Teocracia) que Israel era governado pela religião judaica, por homens descendentes da tribo de Levi e daqueles que descendiam da família de Arão, irmão de Moisés. Contudo, o mau da avareza, que Paulo traduz por idolatria (Ef 5.5; Cl 3.5), sempre acompanhou a política, fosse ela religiosa, fosse uma outra forma de administração. O povo reclama a Samuel: "Eis que já estais velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos (1º Sm 8.5)", demonstrando que a Teocracia ensinada na teologia não passava de um conceito meramente teórico, pois a realidade do governo religioso até então era avesso a isto. Um grande exemplo disto na Teocracia estava na casa do sacerdote Eli. Seus filhos usavam a posição que receberam para praticar aquilo que Deus jamais admitiu, "hipocrisia", que tem por antônimo a palavra sincero, que Deus utiliza ao falar de seu servo Jó (Jó 1.8). E a hipocrisia causou males tão grandes à casa de Eli, que Deus revoga a promessa que havia feito à família de Arão. Dessa forma perdem o sacerdócio que Deus havia dito lhes seria perpétuo, tudo por serem hipócritas, e o mesmo sacerdócio é passado à casa de Efraim (Ex 29.9; 1° Sm 2.35).

Nossas congregações são dirigidas por uma política pseudo-teocrática. Dizemos que é Deus quem escolhe, mas a realidade é sempre outra. Dizemos que é obra de Deus, da mesma forma como o povo judeu sempre esnobou os outros povos, mas a escolha é fruto da vontade daqueles que administram tal congregação, e de seus grupos políticos. O Cristianismo, severamente politizado nos primeiros séculos, realizava concílios para duas ou três vertentes teológicas, do jeito como ocorre hoje em ano eleitoral. Se não há acordo, aquele que não concorda com a maioria sai, que foi o que aconteceu com a exma senadora Heloísa Helena, do Pt, que, mesmo sendo minoria, não concordou em comer aquilo que o partido sempre falou contra. E saiu. E sai porque o partido que ajudou a formar começa a fazer tudo aquilo que eles condenavam.

Este exemplo do Pt com a digníssima senadora Heloísa Helena, hoje no Psol, demonstra que a política de situação transformou-se naquilo que eles sempre lutaram contra, devido aos grandes interesses por trás de sua liderança. O dirigente, seja ele partidário, sindical, comunitário ou religioso terá que fazer até aquilo que não concorda, pois existem vários grupos dentro de cada instituição. E na religião também é assim. Na época de Cristo haviam várias vertentes ou seitas teológicas na religião judaica: fariseus, saduceus, essênios, zelotes, entre outras. Quem estava certo? Quem tinha razão? Quem...?

E hoje, da mesma forma como acontecia na época de Cristo, estamos religiosamente politizados. Se não há acordos nas reuniões, os descontentes saem e abrem outra porta para pregação do evangelho, conforme sua visão teológica. E quem está certo? Os que ganharam a disputa na reunião e os fizeram sair, ou os que saíram e que não concordaram com a maioria? É difícil dizer ao certo quem vence esta disputa, pois quem ganha dá sua versão, e os que saem tem a sua também. Ocorre um empate, isso sim. E o empate tem semelhança aquilo que Deus fala à igreja de Laodicéia: "Não és frio nem quente, és morno (Ap 315)". E sendo morno será vomitado da boca de Deus.

Tomemos uma posição. Falemos a verdade da forma como Jesus ensina. Assim sofreremos por uma causa nobre (Mt 5.10) e o partido ou grupo do qual fazemos parte na igreja tomará a posição de Gamaliel: "... se este conselho ou esta obra é do homem se desfará. Mas se é de Deus, não podereis desfazê-lo (At 5.39,40)"

Então, não vivamos a nossa denominação. Não vivamos a nossa igreja. Não amemos nossa denominação religiosa mais do a um ébrio. Não adoremos nossa congregação. Isto é avareza. Isto é idolatria. Isto é política.

Adore ao Pai como único Deus. E a Jesus Cristo, aquele a quem o Pai enviou (Jo 17.3). O restante não passa de política. E devemos votar em crentes de nossas igrejas? Se a bíblia disser que sim, pode ficar a vontade para votar nele. Mas acho que ela não ensina isso.

5 comentários:

Márcio Melânia disse...

Elizeu,

Paz e Graça.

Infelizmente os maus exemplos que deram e dão os políticos ditos evangélicos, que não entenderam a máxima de Jesus para "exceder a justiça dos fariseus", não colabora para que votemos na maioria dos que são candidatos.
Uma coisa que fica bastante clara na Palavra de Deus é que a missão da igreja não é mudar o mundo pela política. Não foi assim que os discípulos de Jesus "transtonaram o mundo" e sim pela pregação da Palavra e pela demonstração de autoridade e poder que vem somente do alto!

Márcio Melânia
http://noticiascristas.blogspot.com

Pr. Rilton Ricardo disse...

Graça e paz...

Após meditar no que o amado irmão Elizeu buscou externar, me aparece algumas duvidas, qual a real finalidade dos "crentes" se lançarem candidatos? Buscam melhoria em prol do evangelho? Do povo de Deus, ou tão somente algo em prol se sí mesmo?
Então, com base nesta dúvida, creio que o melhor é independente do candidato ser evangelico ou não, analizarmos o passado público, politico, familiar do mesmo, e desta maneira sermos sóbrios no momento que estivermos na urna.
O maior problema da nossa nação, é que por vezes por falta de educação politica, independente da religião,posição social, ou mesmo financeira,somos frageis na hora de exercer o nosso direito democratico... Na sua maioria o Brasil é composto por analfabetos politico, os quais trocam 4 anos de escravidão, por 4 segundos de aperto de mão.
Agora que estamos as portas de eleições, nossas cidades parecem formigueiros em festa, os tanajuras lembram que existem vida la fora,deixam seus confortaveis ninhos, e nas asas da ambição e fome de votos, voam até suas vitimas (eleitores) em busca de apoio, devemos parar e refletir, onde eles estiveram ao longo dos ultimos 4 anos que se passaram? Ou mesmo aos novatos devemos avaliar, o que leva esse calouro a adentrar o meio politico? A parti dai, poderemos sim, indenpendente de serem evangelicos ou não, depositarmos nossa confiança, e por todo o mandato do mesmo avaliarmos sua conduta, já pensando em futuras eleições.
O que não podemos é nos iludir, pois nem tudo que brilha é ouro, e nem todo o que diz Senhor , Senhor, é realmente um servo de Deus.
Queres conhecer quem é teu amigo, concede-lhe poder ou cargo, depois tira tuas conclusões...
Fiquem na paz do Senhor Jesus.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Eliseu, a paz!

Realmente, vivemos uma "falsa" teocracia... Isso é lamentável.
Sobre o "caciquismo", quem comenta são sociólogos, como Paul Freston no livro "Nem Anjos, Nem Demônios" da editora católica VOZES.Outro comentário rápido sobre o assunto é feito por Gedeon Alencar no livro "Protestantismo Tupiniquim" da Arte Editorial. Ambos os livros são sociológicos, sem pretensões teológicas... Mas são bem interessantes...

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Orlan disse...

Paz seja com todos
Realmente irmão Elizeu, creio que a missão do crente não é transforma-lo atraves da politica, mas sim o de levar o evangelho à todos os povos, e a politica sendo um meio corrupto por natureza, não atende nosso maior objetivo... Temos que avaliar os candidatos por meio de seu historico politco , e não por ser membro de uma igreja ou outra.
um abraço à todos e que Deus os abençoe!

Juber Donizete Gonçalves disse...

Elizeu,

Temática importante de ser discutida hoje, principalmente que estamos em ano eleitoral. Eu também postei uma matéria sobre igreja e política. A ex-senadora Heloisa Helena, como você lembrou, teve uma postura mais ética do que muitos parlamentares evangélicos. Parabéns pela postagem e obrigado pela inclusão do meu blog nos seus links.

Graça e Paz.